Olha na verdade eu nem penso em te mandar, a gente se esqueceu, simples.
Seu nome não representa e assim vai e assim fui.
É engraçado, tudo que eu sei sobre você e as coisas que você não sabe sobre mim, lembra da sua mania de me chamar de misteriosa transparente? Que eu sempre fingia ser inteira e na verdade escondia tudo de mim.
Lembra dos apelidos que você me deu em dias de chuva? E das brincadeiras que a gente fez com todos eles?
As ligações que eu não fiz e as respostas que você não deu.
Os dias de chuva que eu passava sozinha foram bastante doídos por um bom tempo, hoje eu gosto e prefiro por mim passá-los sozinha, vai ser assim por um tempo eu espero.
Ainda lembra que eu preciso de tempo pra mim e que eu sumia de repente porque eu precisava respirar? Mesmo sem querer você me sufocava, eu vivia pensando em você e isso me deixava bem exausta.
Ninguém nunca mais soube que eu odeio dividir pipoca, você sabia. A gente brigava por causa de pipoca, lembra? A gente brigava atoa e deixava os assuntos sérios pra depois, sempre pra depois.
Sabe aquelas minhas manias que te davam medo? Foram embora um dia desses, me senti meio incompleta sem elas, era a mesma sensação de quando nos esquecemos. As manias me lembravam você, acho que foi um pouco seu que ficou em mim e de repente sumiu também.
Não consigo mais comer sonho de valsa, me enjoa. Quando começaram aquelas frases a gente vivia comprando só pra rir das cantadinhas e mandar um pro outro, eu tinha um bolo daquilo. Você jogava as minhas fora.
Sabe aquelas coisas que você só percebe quando acaba? As coisas que você tapava porque queria que tudo fosse perfeito? Eu revi toda a nossa (imensa) trajetória e quanta coisa ruim eu fingi que não aconteceu, por você, por mim, porque queria que fossemos.
Nunca tivemos uma música e as músicas nunca me lembraram você, exceto por "bubbly" que de repente se encaixava perfeitamente com tudo que você fazia. Só. Nunca te procurei em filmes bonitos, nem nos que a gente não via, nem nos que poderíamos ter visto.
Sempre tentei te desculpar pelas coisas que você não queria ser desculpado, sempre me desculpei pelas coisas que eu não deveria ter me desculpado.
A gente errou pra caramba, lembra? Ainda tenho marcas aqui, tipo cicatrizes vivas de erros que cometemos. Mas isso sempre foi o de menos, sei lá, os erros meio que completavam a gente.
Tivemos muitos dias, muitas coisas que eu posso lembrar e contar. Foram muitos dos nossos sorrisos, das nossas brigas e das lágrimas.
Sabe que a gente nunca se despediu, sempre vai faltar um ponto final. Mas a gente sabe que se esqueceu, a gente sabe que morreu e não se olha mais como se nos quisessemos. Não dá mais dor no coração quando vamos embora, não dá vontade de ligar antes de dormir, nem mandar mensagem quando estiver chegando
Não me sinto mais perdida quando você não está, as coisas não perdem mais a graça e eu não te procuro nos lugares. Não estou mais com vontade de ligar e ser sua, não quero mais perder o que eu não tenho.
Você foi embora e por ter sido você é tão difícil te deixar. Muita coisa sua ficou por um tempo, ficava difícil te deixar e eu sempre tentava te trazer de volta. Você costumava dizer que seriamos sempre um do outro, porque acabávamos juntos em todos os momentos e em todos os lugares. E agora perdemos o "sempre" e o sempre se perdeu na gente.
E quase sempre bate uma saudade do que a gente não foi, sabe como? Do nosso não rotular sentimentos, do nosso não estar junto e estar. Não sinto falta de você, de verdade, não sinto. Mesmo querendo, só que você sempre vai ser você e te esquecer às vezes dói, porque colocar alguém que possa ser importante no seu lugar é como te trair e te perder. Acho que você entende, né?
Passaram outros, outros e outros, mas ninguém pertenceu tanto quanto você. As histórias, os sorriso e os enfins, mesmo que estes não fossem sós.
Acho que te perder é difícil porque me perco com você, porque vai embora contigo uma parte minha, porque vamos ser nossas lembranças, já somos nossas lembranças.
E às vezes eu me lembro que me esforço tanto pra te lembrar. E te colocar em posição de passado é tão difícil quanto começar um presente estranho.
Eu sei, saudade é banal, sentir é coisa estranha. Mas a gente foi de verdade e ser de verdade é muito maior quando se esquece.
Lembra?